sábado, 5 de dezembro de 2009

Mais iguais que os outros

Como em A Revolução dos Bichos, "todos os animais são iguais, mas uns animais são mais iguais que os outros".

No exterior, um conhecido estava em um bar. Olhava de longe. Ela deu sinal verde e ele se aproximou.

A conversa ia muito bem, até que uma amiga da paquerada aponta para o dedo dele enquanto conversa com uma terceira. Chama a que é alvo da azaração e cochicha alguma coisa. A paquerada então volta e pergunta:

"-Você é casado?"

"-Sou, mas estou me separando...", diz ele, um pouco constrangido.

A tréplica vem "na lata":

"-Não importa de onde venha, homem brasileiro, europeu, é tudo igual."

domingo, 29 de novembro de 2009

Distinto cavalheiro

Esta história me foi narrada por duas fontes diferentes, embora secundárias. Uma preciosidade.

Um importante nome da música pernambucana estava em São Paulo para alguns shows. Devido a uma emergência daquelas, precisou usar o banheiro térreo, em um restaurante do hotel onde estava.

No meio dos trabalhos, lá, trancado na sua "casinha", é interrompido por um sonoro cumprimento.

"-E aí, meu caro, que maravilha ter você por aqui. Chegou quando?"

Estranhou a abordagem, mas, como é uma espécie de celebridade, respondeu.

"-Desde ontem. Vou fazer uns shows..."

"-Tá hospedado onde?"

"-Aqui mesmo e (...)" - antes que nosso músico pernambucano pudesse continuar, foi interrompido.

"-Veja como é a vida. Estou no banheiro e vou ter que desligar agora porque tem um cara aqui achando que tô puxando assunto com ele."

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Cuidado com os "alhures" da vida

Cuidado quando estiver entre estrangeiros. Aqui, o interlocutor do causo é brasileiro, mas a "vítima", uma europeia. Há um engano linguístico que não é exatamente um falso cognato - palavras de idiomas diferentes que até soam parecidas, mas têm significados completamente diferentes. Em vez de erro de tradução, é um nome próprio que "alhures" significa uma gíria regional.

O amigo pernambucano estava em Lisboa, sendo paquerado por uma portuguesinha. Estavam em um bar, em uma longa mesa cheia de brasileiros.


“-Queres Periquita?”, pergunta ela.


“-Lógico. Mas assim, sem uma conversa antes?”


Muita risada na mesa e a típica "portuguesada":


“-Por que todos estão a rir?”

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

"Olho e não vejo nada"

Sei que ainda chega a minha vez, mas envelhecer pode ser mesmo perturbador.

No famoso Bar Central, em uma rua cheia de outros bares bem pertinho da Assembleia Legislativa de Pernambuco, três caras bebendo e conversando. Se conheciam há pouco tempo. Eis que um cutuca o outro:

"-Tem uma gatinha da porra olhando pra tu. Tá lá do outro lado, tais vendo? Tem uns 20 anos a menos que a gente, mas tá dentro da legalidade."

"-É mesmo? Mas eu tô sem óculos, pô. Vejo nada."

"-Vai por mim, tá dando mole. Tá perto do balcão no bar do outro lado da rua. Vai lá!"

"-Vou."

O cara sai, determinado, em direção à garota. E surpreendentemente emenda uma longa conversa, cheia de risos. Os dois se despedem com um abraço e então, na volta para a mesa, os outros querem saber se rendeu:

"-Puta-que-o-pariu, porra. Me levantei para dar em cima da minha filha, né foda?!"

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Cabeção e o muro

"Cabeção" é apelido de pelo menos uma pessoa que cada um de nós conhece ou já conheceu. Todo Cabeção se dá mal, é impressionante.

Na minha infância, na Várzea, subúrbio recifense, Cabeção só se arrebentava. Se ele estava de fora na pelada, levava bolada no rosto que até o nariz sangrava. Mas se ferrava muito, também, porque era teiomoso. O dramático é que tinha o nariz muito sensível. Então, era por isso que, vez por outra, o nariz sangrava, até por uma besteira qualquer.

Em uma das muitas brincadeiras non-sense de quando se é um fedelho, inventamos de escalar seguidamente a árvore da casa de um amigo para, na sequência, cada um por vez, nos pendurarmos em um galho podre, que arriava até que soltássemos: a área de aterrissagem era um muro alto, daí justamente a "graça" e o puta risco da história, que era uma queda das boas.

O circuito era repetido inúmeras vezes, para desespero da mãe do nosso anfitrião, que ficava repetindo os alertas. Até ela chamava nosso amigo de Cabeção.

Naquele dia, dois de nós decidimos abandonar o momento Sessão Aventura quando o galho começou a estalar ruidosamente. Mas, claro, só não parou o intrépido Cabeção. Ainda lembro da cena.

"-Cabeção, menino, desce daí. Tá vendo que perdeu a graça até para os teus amigos? Tu cai, menino!"

"-Caio nãããããããããããããooo..."

Sai todo mundo desesperado. Cabeção caiu do muro para o lado da rua.

"-Cabeção, meu filho, vem cá. Minha Nossa Senhora, que queda desgraçada. Também, teimosia, eu disse. Levanta, deixa eu ver. Tais bem, menino?"

"-Tô."

A gente descobriu depois que Cabeção fissurou o braço. Mas, para não ceder quando a gente chegou, segundos após a queda, o peste estava sorrindo, cheio de dentes.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Kartoffeln und Zwiebeln?

Na Alemanha, meu confrade recifense havia pedido o internacionalmente conhecido número 1, chamado também de BigMac.

"-Kartoffeln und Zwiebeln?"

O quê?

"-Kartoffeln und Zwiebeln?"

"-Puta-que-o-pariu... Agora fodeu!"

Daí vem aquela vozinha, lá dos fundos da lanchonete:

"-Fodeu não... Ela perguntou se quer com batatas e cebola!"

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Inocências à beira-mar

Acampamento em praia, ilícitos de leve, alguma birita e longos passeios à beira-mar... Em uma dessas caminhadas, uma hora depois da saída de um casal casual, volta só a garota.

Segundo o colega que me relatou esta aqui, bem pouco constrangida, apesar da situação, a garota já chegou pedindo uma bermuda. Sabe como é, contou delicadamente: seu muy amigo se distraiu e a água levou toda a parte de baixo da roupa que o cara estava usando, com cueca e tudo, enquanto eles estavam "metendo". Isso nas palavras doces daqueles lábios inocentes.

Algum gênio do mal pior do que ela pensou rápido e disse que não dava para saber de quem era qual mochila. Mas entregou uma sacola e disse que aquilo resolveria a vida do semi-nú, doido que aparece na porta da barraca uns dez minutos depois.

"-Puta-que-o-pariu. Toalha de rosto é foda. Pior do que mandar essa porra é alguém trazer toalha de rosto pra acampar."

Acho que o dono é que preferiu não pegar de volta uma toalha de rosto cheia de perdigotos escrotos.